“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” – Nelson Mandela
A educação é fundamental para prevenir e manejar condições de saúde, e no caso do ceratocone, esse princípio é ainda mais evidente. A campanha Junho Violeta, criada em 2018, reforça a importância de levar conhecimento à população e destaca que a falta de informação pode ser mais prejudicial do que a própria doença.
O ceratocone é uma doença progressiva da córnea, caracterizada pelo afinamento e protrusão, por uma fragilidade biomecânica. Com a progressão, a visão fica distorcida em função do astigmatismo irregular. Frequentemente diagnosticada na adolescência, a doença combina fatores genéticos com fatores ambientais, como a alergia ocular e o hábito de coçar os olhos ou dormir pressionando-os. Apesar de sua gravidade potencial, muitos pacientes não recebem um diagnóstico precoce, o que retarda o início do tratamento.
Nos estágios iniciais, o ceratocone pode não apresentar sintomas. No entanto, mudanças frequentes no grau dos óculos e piora na qualidade visual são sinais de alerta. Por isso, exames oftalmológicos regulares são essenciais. O diagnóstico é realizado com exames avançados, como topografia e tomografia da córnea. Estes exames são fundamentais para o seguimento do paciente.
O tratamento atual tem como objetivos tanto a reabilitação visual quanto a estabilização da progressão da doença. A educação do paciente e o tratamento clínico para tratar alergias oculares e otimizar a superfície ocular deve ser a base do tratamento. Uso de colírios e suplementos vitamínicos devem ser considerados com orientação do médico oftalmologista.
Óculos ainda são a forma mais comum para correção da visão. Os exames de topografia e tomografia da córnea bem como o wavefront ocular (aberrometria óptica) ajudam na prescrição de óculos. Lentes de contato especiais estão indicadas para correção visual quando os óculos não trazem correção satisfatória. Enquanto a adaptação de lentes especiais corresponde ao método mais eficaz para corrigir a visão, o uso de lentes de contato não traz benefício em estabilizar a progressão da doença enquanto procedimentos como cross-linking e implante de anéis intracorneanos são indicados antes de um transplante de córnea. O transplante já foi a única alternativa eficaz, mas hoje em dia são a última alternativa, porém com altas taxas de sucesso.
A campanha Junho Violeta tem como lema “A falta de informação pode trazer mais sofrimento do que a doença” e busca educar a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção. Medidas simples, como evitar coçar os olhos e tratar alergias oculares, podem reduzir muito o risco de progressão da doença. Adicionalmente, a campanha envolve compreender os impactos emocionais e sociais do ceratocone.
Jovens diagnosticados enfrentam desafios como dificuldade para realizar atividades diárias, problemas na escola ou trabalho, e baixa autoestima. A conscientização ajuda a desmistificar a doença e promover um ambiente mais acolhedor para os pacientes.
Outro ponto importante é o papel da família e dos amigos no apoio ao paciente. A jornada de quem convive com o ceratocone pode ser difícil, mas a compreensão e o suporte emocional fazem toda a diferença. Pequenos gestos, como incentivar o uso de óculos ou lentes, ajudam na adesão ao tratamento e melhoram a qualidade de vida.
Com diagnóstico precoce e manejo adequado, o ceratocone é uma doença tratável. O conhecimento é a chave para prevenir complicações e proporcionar uma vida plena aos pacientes. Participe da campanha Junho Violeta e ajude a levar essa mensagem de conscientização a mais pessoas!