Blog |

Quais as diferenças nas fórmulas dos Lubrificantes Oculares?

Quais as diferenças nas fórmulas dos Lubrificantes Oculares?

Compartilhe

Facebook
Twitter
LinkedIn

A síndrome da disfunção lacrimal, mais popularmente conhecida como “olho seco”, está cada vez mais frequente. Um estudo recente mostrou que na população brasileira a sua prevalência está ao redor de 13%.1  E é por isso que cada vez mais médicos e pesquisadores estão interessados em entender e tratar adequadamente o paciente com olho seco. Mas nem sempre é fácil, porque o olho seco está relacionado a diversos fatores, frequentemente combinados, que causam uma mudança na qualidade da lágrima. Sabemos que hoje muitos desses fatores levam à evaporação excessiva da lágrima 2 e estão fortemente relacionados a influências externas,3 tanto ambientais (aquecimento global, poluição atmosférica)  como comportamentais e de estilo de vida (uso de telas, cosméticos e procedimentos estéticos). No paciente com olho seco, a lágrima está em menor quantidade e instável, seja porque é produzida em pouca quantidade ou porque evapora facilmente. O resultado é o aparecimento de sintomas que vão desde um desconforto ocular leve até oscilações na visão que prejudicam o desempenho das atividades cotidianas e interferem na qualidade de vida pessoas.4

            Os lubrificantes oculares são a base do tratamento de qualquer tipo de olho seco,5 não apenas porque aumentam o volume da lágrima, mas sobretudo porque melhoram a sua estabilidade, dificultam a sua evaporação e protegem a superfície dos olhos. Para prolongar o tempo de retenção do colírio e da própria lágrima na superfície ocular, a maioria dos lubrificantes contém substâncias viscosasconhecidas como biopolímeros. No mercado os principais são a carboximetilcelulose (ou carmelose), o HP-guar e o hialuronato de sódio (HS).  O  hialuronato de sódio é produzido naturalmente pelo nosso organismo na forma de ácido hialurônico.6 Uma característica que distingue o HS é o seu comportamento pseudoplástico, propriedade que mantém a alta viscosidade durante e entre as piscadas, com redução do atrito da pálpebra sobre a superfície dos olhos durante o piscar e movimentos oculares (FIG. 1).O HS tem alta capacidade de retenção de água, pelas pontes de hidrogênio que se formam entre a sua molécula e as moléculas da água.8 Essas propriedades provêm maior tempo de retenção na superfície ocular e maior conforto. A viscosidade depende, dentre outros fatores, da concentração do HS na formulação. As pessoas com olho seco com mais sintomas são beneficiadas pelo uso de colírios lubrificantes com concentrações maiores de polímeros. Quanto maior a concentração, maior a viscosidade e maior o conforto ao piscar.9 O HS também possui outras propriedades muito relevantes, como acelerar a cicatrização10-12           e ter efeitos anti-inflamatórios13,14  por atuar nas células da superfície dos olhos.

            Os frascos com líquidos em múltiplas doses (a maioria dos colírios tem esta apresentação) contêm conservantes para garantir a esterilidade e a estabilidade química e física de seus componentes. Nos lubrificantes oculares os conservantes utilizados são de baixa toxicidade e muito seguros. Entretanto para os pacientes que têm necessidade de instilações muito frequentes (mais que 4 vezes ao dia) para alívio do sintomas ou já têm alguma doença ocular com necessidade de uso de outros colírios com conservantes, é recomendável o uso de lubrificantes sem conservantes.15 Hoje existem frascos com tecnologia que elimina a necessidade do conservante, como sistemas de filtros ou válvulas que impedem o líquido que saiu retornar para dentro do frasco.

            Para o diagnóstico correto e tratamento adequado do olho seco sempre procurar a orientação do médico oftalmologista.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. De Castro JS, Selegatto IB, de Castro RS, Miranda ECM, et al.  Prevalence and Risk Factors of self reported dry eye in Brazil using a short symptom questionnaire. Sci Rep. 2018; 8:2076
  2. Rolando M, Merayo-Lloves J. Management strategies for Evaporative Dry Eye Disease and future perspective. Curr Eye Res. 2022 Jun;47(6):813-823. 
  3. Craig JP, Alves M, Wolffsohn JS, Downie LE, Efron N, Galor A, et al. TFOS Lifestyle Report Introduction: A Lifestyle Epidemic – Ocular Surface Disease. Ocul Surf. 2023; 28:304-9.
  4. Stapleton F; Alves M; Bunya VY, Jalbert I et al. TFOS DEWS II Epidemiology Report. Ocul Surf 2017; 15 : 334-65.
  5. Labetoulle M, Benitez-Del-Castillo JM, Barabino S, Herrero Vanrell R, et al. Artificial Tears: Biological Role of Their Ingredients in the Management of Dry Eye Disease. Int J Mol Sci. 2022; 23:2434.
  6. Kobayashi T, Chanmee T, Itano N. Hyaluronan: Metabolism and Function. Biomolecules. 2020;10:1525. 
  7. Hynnekleiv L, Magno M, Vernhardsdottir RR, et al.Hyaluronic acid in the treatment of dry eye disease. Acta Ophthalmol. 2022;100:844-860.
  8. Huynh A, Priefer R. Hyaluronic acid applications in ophthalmology, rheumathology, and dermatology. Carbohydr Res. 2020; 489:107950. 
  9. Phan CM, Ross M, Fahmy K, McEwen B, Hofmann I, et al. Evaluating Viscosity and Tear Breakup Time of Contemporary Commercial Ocular Lubricants on an In Vitro Eye Model. Transl Vis Sci Technol. 2023;12:29.
  10. Nakamura, M.; Hikida, M.; Nakano, T. Concentration and molecular weight dependency of rabbit corneal epithelial wound healing on hyaluronan. Curr Eye Res. 1992, 11, 981–986.
  11. Carlson, E.; Kao, W.W.Y.; Ogundele, A. Impact of Hyaluronic Acid-Containing Artificial Tear Products on Reepithelialization in an In Vivo Corneal Wound Model. J. Ocul Pharmacol Ther. 2018, 34, 360–364.
  12. Lin T, Gong L. Sodium hyaluronate eye drops treatment for superficial corneal abrasion caused by mechanical damage: a randomized clinical trial in the People’s Republic of China. Drug Des Devel Ther. 2015:9 687–694.
  13. Misra S, Hascall VC, Markwald RR, Ghatak S. Interactions between Hyaluronan and Its Receptors (CD44, RHAMM) Regulate the Activities of Inflammation and Cancer. Front Immunol. 2015;6:201.
  14. Hu L, Nomura S, Sato Y, Takagi K, Ishii T, et al. Anti-inflammatory effects of differential molecular weight Hyaluronic acids on UVB-induced calprotectin-mediated keratinocyte inflammation. J Dermatol Sci. 2022;107:24-31.

Jones L, Downie LE, Korb D, Benitez-Del-Castillo JM, Dana R, et al. TFOS DEWS II Management and Therapy Report. Ocul Surf. 2017;15:575-628.

Leia também

52961296419web-850x478

OLHO SECO: um problema e muitas causas

A lágrima é uma importante barreira de proteção do olho. Além da função protetora, a...

GettyImages-1163367335

Olho Seco no mundo contemporâneo

O olho seco é um dos principais problemas oculares que aflige o mundo contemporâneo. Estudos...

olho-seco

Fatores de risco e como identificar que eu tenho olho seco

O olho seco é uma das condições oculares mais comuns e pode afetar significativamente a...

olho-seco-e-vermelhidao-ocular-730x340

Mulheres e o Olho Seco: Por que essa doença atinge mais as mulheres?

O olho seco é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo,...

carnaval-3

No carnaval seus olhos devem bilhar tanto quanto sua fantasia!

Sabe aquele “brilho no olhar”? Aquele que pessoas felizes ou apaixonadas ou entusiasmadas têm?  Ele...

foto-so-dos-olhos-e-cilios-_1_41203

Os riscos do alongamento de cílios para a saúde ocular

O Brasil é um dos principais países em número de intervenções estéticas, na sua maioria...

plugins premium WordPress